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Tudo bem, eu fui má com Eragon!

Tá bom, eu admito: o livro deu uma engrenada da metade pro final. Saphira continua meio chatinha, Eragon deu uma 'amadurecida' como eu previa e a chegada de Murtagh na história me alegrou.

Eu gosto dele. Do Murtagh, claro. É misterioso, apareceu do nada, levou uns cinco capítulos para contar a sua versão dos fatos e - embora não seja o Yoda-Brom - está sempre dando uma mãozinha pro adolescente Cavaleiro de Dragão.

E é por Murtagh que irei continuar a saga, iniciando a leitura do segundo volume: Eldest. Com o término do primeiro livro algumas situações ficaram pendentes como, por exemplo, a traição em família prevista pela bruxa-herbolária Angela. Eu, humildimente, tô apostando que Murtagh é irmão de Eragon, mas torço para que a traição parta do primo Roran que pode estar aborrecido com a parcela de culpa de Eragon na morte de Garrow ou pode ser manipulado pelo malvado supremo caso este coloque a filha do açougueiro em risco. Só não quero que Murtagh fique com fama de traíra em Alagaësia.

Enfim, vou lá conferir no que isso vai dar... Depois te conto.

Eragon tá me irritando!



Eu sei que pode parecer batido, mas lá vai: o problema não é ele, sou eu! Ao menos essa é a única explicação plausível para justificar minha falta de apego ao livro que comecei a ler um dia desses. A trama conta a história de Eragon, órfão, criado pelos tios em uma terra distante e mágica, na qual a lenda dos cavaleiros e dragões é tão presente quanto as atrocidades de criaturas como Espectros e Urgals...

Talvez o motivo do meu desapego seja a repitação de fatores ou a fraqueza do mocinho. Eu sei que ele, o protagonista, só é infatil agora para que no final do quarto livro eu possa dizer: "Nossa como ele amadureceu!" mas, desde 'O senhor dos anéis' não vejo um papel principal tão debilitado. Não fosse aquele ruivo, amiguinho do Frodo - acho que o nome era Sam - o anel estaria, na melhor das hipóteses, numa loja de penhores. E, até o momento, Eragon tem quase tudo que 'O senhor dos anéis' tem: elfos, monstrengos, encantamentos, lendas e etc... Só que o Sam do Eragon se chama Saphira e ela TAMBÉM tá me irritando!

Saphira é uma dragoa (se pavão é pavoa, tô considerando que dragão é dragoa, letrados: manifestem-se!) que se comunica mentalmente com Eragon, o jovem que achou seu ovo e foi escolhido como seu cavaleiro... Como Saphira nasceu há umas cem páginas, estou convencida de que ela já está na adolescência o que explicaria, ente outras coisas, suas mudanças de humor repentinas e suas crises de ciúme. Sei que posso estar julgando erroneamente, mas nada me tira da cabeça que Saphira está gamadinha no Eragon. Se essa é mais uma história de amor impossível só as próximas páginas dirão.

Além de ter 96,7% dos elementos que existem na saga 'O senhor do anéis', Eragon também conta com outra peculiaridade já conhecida dos leitores: ele é órfão! A mãe apareceu grávida na casa do irmão, teve Eragon, morreu e jamais contou quem era o seu pai. O que nos conduz a inúmeras possibilidades: ele pode ser filho do malvado que traiu os cavaleiros e assumiu o trono; pode ser herdeiro do líder da resistência; pode ser filho de um elfo ligado as forças humanitárias; ou pode ser filho de um mercador que já era casado, vai saber... O fato é que Harry Potter também era órfão e em "Desventuras em série" essa condição era tão comum que haviam três na mesma trama...

Enfim, a cereja do bolo. Algumas frases TAMBÉM estão me irritando, como, por exemplo: "Mas ele não sabia como usar seu NOVO poder NOVAMENTE" (pág. 127). Na boa, eu dispensaria o 'novo' porque quem está lendo sabe que ele não tinha poder nenhum até o parágrafo anterior, então, assim, ainda É uma novidade.

Outra possibilidade é que eu esteja velha demais para ler sagas infanto-juvenis. Portanto, quem me recomendar o tal 'ladrão de raios' ou qualquer romance sobre vampiros que não tenha as palavras 'Anne Rice' na capa leva um dvd do Eragon. Se bem que, pelo jeito, este será um dos raros casos em que o filme supera o livro.

P.S.1: Ah, já ia esquecendo, Eragon também tem seu próprio Yoda - sabe, aquele cara que explica tudo, mas não esclarece nada - só que ele se chama Brom.

P.S.2: Não estou dizendo que o livro é um apanhado de outras tramas bem-sucedidas, imagino o quanto é difícil criar uma história realmente nova. Estou apenas tentando dizer que ainda não entendi o que levou este livro a vender cerca de 4 milhões de exemplares.

Licença poética

E só agora encontrei a resposta que você procurava. Licença poética é vestir uma roupa velha por não aceitar uma vida nova. É ser amigo imaginário de uma pessoa real. É sentir o vazio estando de saco cheio. É querer virar a mesa e desejar que tudo continue igual. É criar uma realidade oculta para ter em mente um texto público. É entre um mundo de sons ouvir a música que toca suas dúvidas.

Pq eu perdi a fé na humanidade



Eu perdi a fé na humanidade no momento em que Totó revelou, didaticamente, como havia enganado parte do elenco de Passione, fingindo sua própria morte com o intuito de desmascarar a Clara. Se Totó - Tony Ramos - não é digno de confiança, o que mais nos resta?

Eu nem acompanhava a novela, mas a mentira de Totó - em conluio com toda a família, que não era pequena - me marcou mais do que o tal detetive de polícia que pegou a Clara. Pegou em todos os sentidos possíveis o que me levou a questionar a legitimidade das acusações e provas... Mas, enfim, o tempo passou, outras novelas estrearam, o ciclista drogado e o italiano bígamo já mudaram para o sertão e eu, pessoa boa que sou, já estava aqui me deixando enganar novamente pela pureza do coração humano. Até que Barbie acabou de vez com toda e qualquer esperança de um mundo melhor...

Sei que será díficil de acreditar, mas, em seu novo filme "Barbie e o segredo das Fadas" a loira tem um momento de ira. Não aquela ira histérica de sair quebrando tudo, e sim a pior de todas as iras: a ira contida! Aquela em que a pessoa lança um olhar fulminante, engole seco, respira e volta ao normal. É fatal! Por um único frame Barbie deixou seu lado sombrio se revelar e agora é questão de tempo até que o lado negro da força a corrompa. Você duvida? Então assista o vídeo deste post, pode pular para 01:56.

O que esperar de um filme infantil em que a Barbie faz cara de má? O fim da feira, minha gente!

Primeiro, é preciso lembrar que os roteiristas perderam a noção de vez lançando mais uma Barbie com asas! Sabe quantas vezes a Barbie já foi fada num longa? Tantas que numa dessas vezes teve que se tranformar em sereia para dar um 'up' na história. Isso mesmo, caro leitor, existe um filme da Barbie em que ela é uma fada que precisa virar sereia para salvar sei lá quem, príncipe de um mundo encantado aquático qualquer. E essa trama compõem uma trilogia... Não entendeu? Isso mesmo, eu escrevi TRI-LO-GIA!!! Ah, sim, também tem filme da Barbie em que ela é SÓ sereia.

Em suma, fizeram três filmes com a Barbie sendo fada, sendo que num deles ela também vira sereia. Depois fizeram da Barbie uma fada-anã estilo Sininho, que não deve ter vendido muito bem porque eles investiram novamente na sereia e agora - pós Barbie estilista - voltaram com o lance das fadas... Não há borboleta que aguente tanta asa! Mas até aí, estava bom!

Com o tempo você se habitua a essa idéia que os filmes recentes da Barbie tem vendido de que ela existe de fato. Traduzindo: não é que nesse filme a Barbie vira fada; é que nesse momento da VIDA REAL da Barbie a princesa do mundo das fadas sequestra o Ken e ela TEM que virar fada e salvar a vida do amado. É quase um reality! E até aí, como eu disse, tava bom!

O problema mesmo começou quando Barbie e as três amigas (sim, tem que ter três amigas para os pais serem pressionados a comprar quatro bonecas: protagonista + amigas), todas com asas, precisaram da ajuda de cavalos alados para superar os redemoinhos que protegiam o castelo da princesa-fada-meliante (sim, os cavalos alados apareceram por menos de dois minutos apenas para os pais serem pressionados a comprar quatro cavalinhos com asas).

Eu acho super justo você, enquanto fada num cavalo alado, enfrentar redemoinho para salvar seu amado, mas, nesse caso, já que a missão é perigosa o ideal é sentar no cavalo com a perna esquerda de um lado e a perna direita do outro. Não dá para voar num cavalo alado em alta velocidade fazendo piruetas para escapar dos redemoinhos galopando com as duas perninhas pro mesmo lado. Aí ficou muito díficil pra mim. Principalmente, porque tudo isso é pra salvar quem? O Ken!

Ken é a prova viva de que os roteiristas surtaram. Durante o duelo (sim, tem um duelo mas eu vou te poupar dessa parte) Ken imita aquela cena do Matrix. Gente amiga, quem ainda imita aquela cena do Matrix? A piada já está velha, foi repetida milhões de vezes e não faz o menor sentido para quem não viu o original. E para completar, no finalzinho do filme, quando a garrafinha com o antídoto da poção do amor (sim, tem poção do amor!) está voando de um lado para o outro Ken, todo amarrado, faz embaixadinha com o frasco... É muito para mim!

E antes que alguém defenda a originalidade do roteiro pelo destaque dado ao Ken, que além de ter muito mais falas nesse filme é, incontestávelmente, a mola propulsora do enredo aviso logo que, há muito tempo, passou um episódio do Clube das Winx em que o namorado de uma delas é sequestrado pela rainha do mundo subterrâneo. E para quem não sabe as Winx são fadas.

E ou não é para perder a fé na humanidade?

P.S.: Leia também meu post Barbie, a ambiciosa.

Algumas coisas sobre "As melhores coisas do mundo"



Assisti ontem ao filme "As melhores coisas do mundo". Desde "Amores possíveis" não me apegava tanto a uma produção nacional. O roteiro é sensível e os diálogos são tão reais que é difícil não lembrar de algum amigo dos tempos da escola. Os jovens atores que compõem o elenco principal concedem tanta veracidade a seus personagens que fica difícil separá-los da história. Um show!

Entre minhas cenas preferidas estão as conversas de Mano e Carol no ônibus. Numa delas Mano confidencia a amiga que o pai saiu de casa para morar com outro homem ao que Carol diz: "Putz, teu pai é muito corajoso!". E Mano reage: "Corajoso?! Porra, Carol meu pai é veado!". E ela rebate: "E o meu pai Mano? Meu pai é antropólogo!". Amei!

O filme congrega momentos engraçados com cenas de extrema sensibilidade, mostra o dia a dia de Mano e seus amigos sem adocicar demais a existência humana. Estão lá os amores adolescentes, as amizades intensas, as reações desmedidas comuns nessa época da vida. Mas tudo bem parecido como é de fato, nada de príncipes e princesas, protagonistas 100% bonzinhos e vilões horripilantes, apenas a vida como conhecemos.

Entre as surpresas temos Denise Fraga como uma mãe tão comum - sem piadinhas - que é dificil lembrar que a atriz em cena é a Denise Fraga. Até Fiuk - com quem eu tinha um pouco de má vontade - convence. Infinitamente melhor em 1h40 de filme do que em 1 temporada de 'Malhação'.

Assustador para mim nesse longa foi descobrir que Caio Blat e Paulo Vilhena são os 'adultos' da trama... Fiquei velha.

Eu gostei de tudo e poderia elogiar aqui cada trecho do longa, mas espero que você assista e volte para comentar. A delicadeza no tratamento de temas tão batidos e complexos como sexo, drogas, rock'n roll, fofoca, bullying, relações homoafetivas e amores adolescentes faz de "As melhores coisas do mundo" o melhor filme da minha lista nos últimos tempos.

Ah, a trilha também é primorosa!

É mesmo uma zebra!


Um pônei treina um filhote de zebra, apaixonado por uma égua, para disputar uma tradicional corrida de cavalos puro sangue. Essa é a base do enredo do filme infantil "Deu Zebra" que conta ainda com um pelicano gângster chamado Ganso, um cão de guarda que dorme o tempo inteiro na soleira da porta e, claro, um grupo de intolerantes cavalos que desprezam o novato Listrado.
O filme, aparentemente inocente, traz todos os ingredientes dos sucessos adolescentes: o amor impossibilitado pela diferença; os inescrupulosos donos do pedaço usando a força bruta para se livrar do oponente; a amizade verdadeira que supera todos os obstáculos... Mas, não foram essas características que me fizeram largar a arrastada leitura da biografia de Madonna para acompanhar Biariana em frente a tv...
"Deu Zebra" pode ser considerado um clássico pois traz duas referências bárbaras para alegrar os corações dos pais: (1) a égua, objeto de desejo do protagonista Listrado chama-se Sandy, mesmo nome da pura heroína imortalizada por Olivia Newton-John em "Grease - Nos Tempos da Brilhantina". (2) Quando, finalmente, o dono de Listrado decide treiná-lo para a corrida (sim, existem humanos no filme mais eles NÃO FALAM com os animais) precisa destruir parte da plantação para criar uma pista e, neste momento, o galo da fazenda profere as sábias palavras: "Construa e eles virão!". Alguém aí lembra do personagem de Kevin Costner derrubando sua plantação para erguer uma campo de beisebol e jogar com as lendas fantasmagóricas do esporte em "Campo dos Sonhos"?
Pois é, "Deu Zebra" é mesmo uma zebra: contém todos os elementos para ser um fime terrível, mas, pasmem, eu me diverti. E se você tem dúvidas sobre a sua existência repleta de sonhos inacabados fica a dica: "Construa e eles virão!"

Aprendendo com a Internet

Há tempos acompanho as mais diversas discussões via blogs e twitter. São barracos de famosos, bate-boca sobre política, limites e a falta deles em piadinhas sem noção com teor altamente discriminatório. Algumas vezes é pura perda de tempo, já que a maioria dos temas são debatidos por pseudos donos da verdade e não por pessoas que desejam entender o que esta de fato acontecendo.
Mas, hoje, em homenagem ao querido amigo de infância @fabiodantasbito e ao meu tb estimado amigo virtual @xuncle, decidi escrever sobre algo polêmico, na esperança de que meus 3 leitores possam relfetir comigo nos comentários. Ou seja, não estou contra, nem a favor, muito pelo contrário... Vou apenas relacionar algumas linhas de pensamento sobre o caso da irariana Sakineh Mohammadi Ahstiani.
O fato: Em 2006, Sakineh foi acusada de adultério e recebeu chibatadas como sentença. Depois disso, foi acusada de adultério e participação no assassinato do marido. Sentença: morte por apedrejamento. Com a mobilização internacional o cumprimento da sentença foi adiado e o apedrejamento alterado para enforcamento.
Para refletir 1:
Chibatadas, apedrejamento e forca são sentenças comuns no Irã. Atualmente, existem várias mulheres acusadas de adultério aguardando o cumprimento da sentença de morte. Entre elas, jovens de 14 anos...
Desconheço os trâmites legais do referido país, mas, numa cultura sabidamente machista, há, no mínimo, que se desconfiar da investigação e sentença nestes casos, já que o 'valor' da palavra de um homem é infinitamente maior do que a de uma mulher. Ou melhor, há voz para as mulheres nessa realidade?
Só para ilustrar, li que nas sentenças de apedrejamento as mulheres são enterradas até o pescoço, enquanto os homens tem seus braços livres para defesa. Tudo bem, eu sei, vai morrer do mesmo jeito, mas dá para perceber a 'sutil' diferença de tratamento ou quer que desenhe? Ah, mais um detalhe: a recomendação é que os executores usem pedras pequenas para que o acusado não morra rápido.
Este ano, na Virgínia (EUA), após 100 anos*, uma mulher -Teresa Lewis - foi executada por confessar a participação no assassinato do marido e do enteado e o envolvimento amoroso com um dos assassinos.
No caso de Sakineh, há uma mobilização internacional em favor do seu perdão. No caso de Teresa Lewis a repercussão foi bem menor, apesar da semelhança entre as acusações (adultério e assassinato) e da sentença (morte).
Então, chega a hora de decidir: Você é a favor ou contra a pena de morte? Você é contra o apedrejamento? Tolera o enforcamento? Acha a injeção letal mais digna? Depende do caso?
Para refletir 2:
Se há um fila de irarianas aguardando a morte por apedrejamento em virtude de um suposto adultério, porque o abaixo-assinado virtual é em favor apenas de Sakineh?
Pô, sua anta, se já tá difícil conseguir o perdão pra uma, imagina se o cara lá vai liberar geral... Que seja, provavelmente, tem alguma ONG aí no mundo trabalhando pra isso, eu que ainda não tô sabendo.
Talvez a mobilização internacional tenha surgido pelo empenho do filho de Sakineh. Afinal, é de se admirar que mesmo vivendo naquela cultura ele tenha se colocado em defesa da mãe. Em contrapartida, é possível que as famílias das outras acusadas achem tudo muito justo e natural.

Ou ainda, a mobilização internacional pode ser mais uma manobra do Tio Sam que gosta de se meter na pena de morte alheia, mas não toma providências para as mortes legitimadas pelo Estado no seu quintal.
Enfim, tenho dúvidas, você tem respostas?
U P D A T E 1: O filho e o advogado de Sakineh também foram presos, juntamente com dois jornalistas alemãs que estavam no país para cobrir o caso.
U P D A T E 2: Pela acusação de assassinato Sakineh foi condenada a 10 anos de prisão, a sentença de morte por apedrejamente é referente as acusações de adultério, que teriam acontecido APÓS a morte do marido.


* há 100 anos uma mulher negra foi executada por ter matado a patroa.

Você é feito de quê?

Do que você é feito? De carne e osso? Suor e lágrimas? Saudades? Esperança? Cicatrizes? Eu sou feita de gente!
Sou moldada pela altivez cativante da Shirlene, pelo charme despretensioso da Valéria e pela inteligência natural da Magna. Sou feita do bom humor do Bito, da serenidade da Lena e da certeza do Waldy de que no final tudo dará certo, afinal sempre é possível atingir os pontos necessários para passar de ano no último bimestre.
Sou formada por aqueles que se desculparam por não poder vir e pelos que não disseram nada. Feita por todos que eu ainda não reencontrei e pelos que não adicionei por opção.
Sou resultado da piada pronta que só tem graça para nós; sou mistura do riso adolescente que brota fácil quando estamos juntos. Sou um bando de gente e mais ninguém.
Sou feita assim. E vc?
P.S.: antes que os sofredores de plantão se manifestem sou feita de muito mais, só que este é um post com destino certo, ok?

Adola macho & adola fêmea

Lá estava eu, levando Biariana para a escola quando me deparei com um bando de 'adola' a caminho do colégio. Como exemplares fiéis dessa fase da vida em que os hormônios imperam e a educação falha, o grupo vinha animadamente pela rua debatendo em alto e bom som uma questão digna do vestibular.
Entre risadas, um dos meninos dizia que um tal fulano contou que uma tal cicrana era filha de um boi com uma 'boda'. Isso mesmo 'BO-DA'!
Eis que a menina do grupo interrompe tão bela explanação para expressar com palavras o que todos já recriminavam em pensamentos, urros e mais risadas:
"- Boda? Num acredito! É bode fêmea e bode macho".
E do alto de sua sabedoria exemplificou:
"Igual baleia. Existe 'baleio'? Não! É baleia fêmea e baleia macho".

São Google que nos proteja. Afinal, não faz muita diferença: epiceno, coseno, obsceno... vamos todos morrer mesmo...

P.S.: até o fechamento desta edição Vaca e Cabra não foram encontradas para comentar o tórrido caso de Boi e Boda.

Marketing? Aprenda com a Polly!


Escrevi alguns artigos para um site dedicado a profissionais de comunicação que atuam como 'freela' e, por isso, vez ou outra, surgem e-mails na minha caixa de entrada de personas ávidas pelo conhecimento. Raríssimas exceções solicitam dicas de livros ou cursos, a maioria mesmo quer que eu 'ajude a montar o projeto'...
Acostumados com os poderes sobrenaturais de São Google, não querem ou não sabem como acionar o Tico e o Teco. Imaginam que ao digitar 'projeto de mkt' São Google irá apresentar um arquivo completo, impecável e com lacunas em destaque para inserir o nome da empresa e do (pseudo)autor. De preferência que seja em .pdf pra garantir a formatação.
Emocionada com a busca pelo conhecimento dos internautas venho por estas mal traçadas linhas dizer que não é preciso apelar pra São Google, como já dizia o chato do Kotler: "marketing é tudo e tudo é marketing". Taí a Polly que não me deixa mentir.
Devido a um evento de férias envolvendo a Biariana ficou combinado que compraríamos um exemplar dessa boneca nanica que ambiciona roubar os seguidores da Barbie. Ao entregar a sacola o vendedor avisou que junto com a boneca estava um álbum com TODAS as figurinhas, um brinde. Não há palavra no mundo que alegre mais o coração do meu marido do que 'brinde', na verdade, talvez 'desconto' seja de fato a preferida.
Enfim, o álbum apresenta os novos bichinhos de estimação da nanica. Livremente adaptadas a realidade mutante-transgênica do nosso mundo, as figurinhas retratam os 'Cutants' seres vindos da mente de alguém muito bem pago, porque se um estagiário sugerisse algo assim seria demitido do Aprendiz na hora.
A fauna dos 'Cutantes' é composta entre outras belezuras pelo Miaumellow (cruza de gato com marshmallow), Ratizza (rato+pizza) e Guitaruja (guitarra+coruja)... São 60 bichinhos. Até aí, tudo bem. É até simpático da parte de Polly nos oferecer 'gratuitamente' um álbum de figurinhas com todos os cromos, mas, por acaso, na mesma semana, fui bombardeada com comerciais em que a Polly animava a vida de seus amigos apresentando os inovadores bichinhos de estimação que, pasmem, são colecionáveis!!!
E tem gente que não acredita em coincidência. Quem poderia imaginar que as ilustrações do tal álbum virariam brinquedo? Não sei porque o povo ainda apela pra São Google, há tempos que os Titãs ensinam: "as idéias estão no chão vc tropeça e acha solução". Basta ficar atento.

Mais sobre Norma Jeane

Ainda estou na primeira parte do livro "A vida secreta de Marilyn Monroe", de J. Randy Taraborrelli e alguns trechos chamaram minha atenção para a existência do maior símbolo sexual de todos os tempos.
Nascida em 1926, Norma Jeane foi entregue pela mãe, Gladys, com apenas doze dias, aos cuidados da família Bolender, vizinhos de sua avó materna. Permaneceu com eles até os sete anos quando a mãe decidiu criá-la.
O histórico familiar de Norma era preocupante em relação a saúde mental: mãe e avó materna sofriam de esquizofrenia; seu avô materno morreu aos 41 anos após alguns surtos; e seu bisavô materno suicidou-se durante uma crise.
Norma passou poucos meses com a mãe que precisou ser internada em um sanatório. Sua guarda então foi transferida para Grace, amiga de Gladys. Pouco tempo depois, Grace embarcou no quarto casamento e - a pedido do marido - levou Norma para um orfanato. Lá, ela permaneceu por um ano e meio, até que Grace decidiu levá-la de volta para o convívio com sua família. Foram necessários seis meses para que esta nova tentativa também fosse frustrada.
Aos onze anos, Norma foi entregue por Grace para uma tia que mal conhecia e, cerca de um ano depois, outra mudança, outra tia. Com quatorze anos Norma voltou a viver com a família de Grace, mas dois anos depois os planos mudaram. Como o marido de Grace havia conseguido um bom emprego em outro estado toda a família teria que mudar e, mais uma vez, não haveria espaço para Norma.
Seguindo as instruções de Grace, Norma se casou aos 16 anos com o filho de um vizinho, Jim, de 21 anos, a fim de se livrar de mais alguns anos no orfanato.
Norma Jeane morreu aos 36 anos, mas sua história é suficiente para abastecer muitos livros.

Chico Penseiro da Amanda



Muito antes de Harry Potter mergulhar na penseira de Alvo e descobrir que tudo que havia sido apresentado até o momento eram 'meias verdades', a tal palavra -penseira, que me causou estranhamento durante toda leitura da saga do bruxinho - já tinha uma versão masculina.
Calendário e palavras são coisas que me causam certa aflição. Sempre que meu aniversário se aproxima lembro que os imperadores tinham por hábito modificar os meses, suprimir ou acrescentar dias, apenas pelo prazer de assegurar o nome na história. Tão aí os meses de julho e agosto, instituídos por Julio Cesar e Augustus que não me deixam mentir. Por isso, sempre me pego pensando que, talvez, meu aniversário não seja exatamente no dia que eu comemoro. Esse lance de tempo é muito relativo.
O surgimento das palavras também é algo assustador para mim. Alguém fala algo que não existia, o outro ouve e repete até que, pronto: o Hoauiss publica antes do Aurélio o significado e a palavra passa a ser legítima. Mas, preocupante mesmo é pensar no pobre coitado que se dedicou a adaptar os radicais do grego, latim & cia para que o povo tivesse o que falar... Brincadeirinha.
Essas questões me deixavam tensa sempre que a palavra 'penseira' aparecia nos livros do Potter. Não me importa se existe ou quem inventou - e não pretendo incomodar São Google com isso - mas o fato de ser pouco usual e a sonoridade me consomiam bastante.
Eis que, de repente, me deparo com os versos de "Pedro pedreiro": 'Pedro pedreiro penseiro esperando o trem'. Composta por Chico Buarque, em 1965, a música é apenas mais uma boa sacada de um nome ímpar na história brasileira.
Não tenho nem um CD de Chico, mas não é preciso ouví-lo exaustivamente para reconhecer seu talento e identificar ao menos alguns de seus sucessos. Terminei a leitura de "Chico Buarque - Histórias de Canções", no qual Wagner Homem, com a propriedade de quem trabalha há anos com o mestre, narra os bastidores de algumas criações de Chico.
Recheado com belíssimas letras o livro deixa claro a genialidade do Excelentíssimo Sr. Francisco Buarque de Hollanda. Um autor capaz de compor em poucos dias "Noite dos Mascarados" para substituir num show a censurada "Tamandaré". E, em contra partida, levar tanto tempo para dar letra a música de Tom Jobim, intitulada "Anos Dourados", que, ao concluí-la, a minisérie já havia saído do ar.
Esses 'causos' e a reprodução de algumas letras do autor, fazem do livro uma excelente opção para os amantes de Chico, da música, da poesia, das palavras. Embora não possa ser considerada fã número um do músico pela ausência de suas produções em minha CDteca- algo que pretendo mudar, pois configura certo desvio de caráter - foi inspirada por uma de suas canções que escolhi o nome de minha filha muito antes dela ser concebida.
P.S.: a Amanda do título é amiga de um amigo (Mangão) e me lembro dela sempre que Chico Buarque é o tema, pois ele era sua trilha sonora, sempre.

Meu amigo de quadrilha

Ele não é amigo de copo, nem de escola. Não morava na minha rua, nem era parente. Ele é meu amigo de quadrilha. Não essa quadrilha das páginas policiais ou esportivas. Quadrilha de caipira, de festa junina.
Num passado não muito distante, no Rio de Janeiro, era possível fechar uma rua, encher de barracas e assistir as crianças dançando sem receio da hora, dos transeuntes e das balas perdidas ou achadas. As festas mais tradicionais realizavam competições e as meninas iam longe com suas fitas, laços e tranças para dar show com seus cavaleiros remendados que, as vezes, simulavam um ataque epilético durante a apresentação.
Dancei por quatro anos seguidos com o mesmo cavaleiro, mas a nossa quadrilha era mais humilde e não saíamos do bairro. Ensaiávamos meses, toda noite, e nos apresentavámos uma ou duas vezes. Era muito bom! Toda noite tinha algo para fazer, um compromisso, uma fofoca, gente engraçada e querida pra ver.
Ontem, na festa caipira da escola de dança da Biariana os 'adola' dançaram. Não conheço aquelas pessoas, não pertenço aquele grupo, mas indentifiquei de imediato os sorrisos, olhares e gestos. Foi como assistir a um filme que você é fã, já viu mais de mil vezes, mas - de repente - todo o elenco mudou. Deu uma saudade da minha quadrilha. Mas para sentir saudade do meu cavalheiro - que também é meu afilhado de casamento - eu não preciso de festa junina.
Meu amigo de quadrilha tá comigo em todas as horas, nas músicas que ele canta, na história que ele vive e ensina, na minha cor preferida que lhe ofusca a visão, na bananada, na camisa amarrotada, no barulho de uma risada, no silêncio da solidão ... Eu tenho um amigo chamado Mangão.

Quero ser Martha Medeiros!

John Malkovich que me perdoe, mas quero mesmo é ser Martha Medeiros. Não sei se ela é linda, carismática ou bem educada. Sei apenas de suas bem traçadas linhas.
Cronista de mão cheia, mente fervilhante e frases fáceis, essa gaúcha me enche de esperança. Quando a leio a ilusão de que qualquer pessoa pode escrever - inclusive eu - me absorve. Acho que esse é o maior mérito de seus textos, não há artifícios, tom de superioridade ou construções mirabolantes. Sua obra é composta 'apenas' por sentimentos, impressões e alguma ironia, afinal, ninguém é de ferro...
Ela escreve sobre amor, amizade, medo. Elogia Caetano, Saramago, Regina Casé. Reflete sobre a tal cultura de massa, igualdade dos sexos, maternidade. Ela escreve o que eu gosto de ler de um jeito que me sinto capaz de também escrever.
Estou com cinco livros dela em casa. Mais de 900 páginas de inspiração! Num primeiro momento, quis devorar todos e, para começar, me deliciei com "Trem-bala" e "Non-Stop". Agora mudei de idéia, decidi intercalar os textos de Martha com outra companhia. E - enquanto me envolvo com o belíssimo "Chico Buarque - Histórias de Canções" (de Wagner Homem) -, "Cartas Extraviadas", "Coisas da Vida" e "Montanha-russa" me aguardam na estante.
Quando vejo, na prateleira, Martha Medeiros esperando por mim tenho aquela sensação boa de quem volta pra casa sabendo que tem alguém 'dubem' pra reencontrar.

Quero ser Miss

Não quero esse mundo!
Na minha vizinhança tem uma criança que bate - de verdade - nos 'amiguinhos'. Morde, atira brinquedos, faz chorar e sangrar. E a família só diz que 'vai passar'.
Não quero esse mundo!
Onde depois da novela o cara esfaqueia ela e aparece na delegacia pra consolar a mãe da guria.
Não quero esse mundo!
Que tem um menino que vive na rua, escapa da chacina, entra no ônibus, pára o país, faz morrer e morre. Mais um infeliz.
Não quero esse mundo!
Onde a menina deixa o irmão na lan house e com seu príncipe encantado da cabo dos pais.
Não quero esse mundo!
No qual o garoto pobre vislumbra um futuro, fecha o gol feito um muro, depois 'fecha' a mina que dão pra matilha. Se tira uma vida, volta pra estatística. Campeão nunca mais.
Não quero esse mundo!
Quero ser Miss e em alto e bom som - após retocar o batom - desejar com fervor mais amor, menos dor e a paz mundial!

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